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Montagem de Sheyla Macedo a partir de fotografia de Alik Wunder do “Num dado e-vento“.

Homens, imagens, palavras existem na maneira como lidam com o silêncio e com a sombra (silêncio da cor?); homens que se constrõem no que não dizem, imagens em silenciadas sombras, narrativas do não-dito: na sombra, tudo é e não é, sendo sombra – caos… inexplicável… intolerável? Silêncios são gritos de caos: por onde o conceito não passou, o que já é em si conceito-caótico (será que a divulgação científica suporta o silêncio?).

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Montagem de Sheyla Macedo a partir de fotografias Num dado e-vento“.

Desatando o mundo, que dizer do destino? Trazendo imagens-homens-monstros, dados jogados para o futuro, a questão que os fazia dançar: quê palavra você levaria para o futuro dos humanos? E, levando palavra, o que ela faz de nós? Palavras guardadas para o futuro, mas não silenciadas: postas em estado caótico ao tensionar sua relação com o tempo; palavras dizem do que acontece, registram? Palavras-mágicas fazem acontecer? – E quanto à palavra-jornal? O que ela faz?*

*trecho do artigo: “Palavras ao vento para desatar o destino”, apresentado no COLE 2009.

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Fotografia de Alik Wunder “Num dado e-vento“.

Os sentidos desatados, quando se nos apresenta qualquer centelhar poético, nos permitem entrever o sentimento de que é feito o universo, a despeito da incansável reiteração da sensação de realidade que define o estar imerso num mundo de conceitos fixos (quadros-quadrados dissolvidos na paisagem?). Esta sensação, quando intensificada a ponto de se estender à própria materialidade das coisas, no hermetismo das sensações que logo se desata na memória de traços dançantes, faz-nos sentir o caráter impositivo da realidade, a todo instante reiterando seu quê inextrincável: nossos limites. Espreitando para, na melhor circunstância, despedaçar o real, fagulhas caóticas se afiguram como forças de resistência a esta impossibilidade do real, constituindo-o essencialmente como única forma de contrapô-lo: prestes a saltar, desejam a ocasião.*

*trecho do artigo: “Palavras ao vento para desatar o destino”, apresentado no COLE 2009.

espelhando

Fotografia e edição de Sheyla Macedo no “Num dado e-vento”.

O mundo concebido como imbricação de tempos e escritas, tal como acena a carta de tarot  A roda da fortuna, também vislumbramos ao pensar num mundo em que passado-presente-futuro não são entendidos como claramente delineados, porquanto tal diferenciação se tenta na linguagem. Cassirer propõe que, na consciência mítica, as formas não possuem limites espaciais perfeitamente identificáveis, mas antes derivam do todo, “e de maneira original e gradual, pois não foi operado o processo de diferenciação e seleção de formas individuais” (Mito e linguagem: 18); somente quando da referência pela linguagem as coisas são delimitadas, isto é, são tomadas individualmente como uma forma separada do que as envolve, porquanto, como afirma Nietzsche, “a natureza desconhece quaisquer formas e conceitos” (Sobre a verdade e a mentira: 36). O entrelaçamento e a imbricação entre os elementos da linguagem e as diferentes configurações básicas da consciência mítico-religiosa defendidos por Cassirer e vislumbrados, por exemplo, nos limites borrados da individualidade relacionados à não-distinção nominal-verbal, permite-nos dizer da transformação no modo de conceber o mundo-tempo relacionado a esta distinção de natureza lingüística – a este organizar o mundo em espelhos.*

*trecho do artigo: “Palavras ao vento para desatar o destino”, apresentado no COLE 2009.

As tintas soltas da imaginação afiguram imagens fugidias: tentamos pescá-las, no infinito caótico em que velejam; a palavra quer, por vezes, fotografar o vento: abarcar um sentimento do mundo, por vezes um espanto. Quem quer texto-quadrado que coloca limites em que as palavras se debatem? A divulgação científica pode querer, mas tentaremos outra: uma que potencialize a palavra que deixe a escrita palavrear – conversar com seus limites para, quem sabe, dissolvê-los. A mesma palavra que é tomada, pelo homem, com intuito ordenador, querendo fazê-la registro – fazê-la ser um pedaço do tempo que foi -, é solta na palavra que conversa, na invenção, com seus próprios limites: o criar, o fabular, é por onde ela pode fugir -

(caos?)

Mundo feito de palavras… palavras feitas de mundo?

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